Chaveirinho, a escrava
Vamos então deixar a imaginação nos transportar
para um dia qualquer em uma escola do subúrbio…
As surras que as amigas Karina e Andressa haviam
levado renderam-lhes muita zoação dos colegas, conforme era regra naquela
escola. Uma colega com quem elas particularmente não topavam chamava-se Chaveirinho.
Era uma menina muito convencida, daquelas que quando começam a zoar, não sabem
a hora de parar. Chaveirinho
tinha mania de passar-se por adulta, e implicava particularmente com a maneira
de bater das mães de Karina e Andressa, só nas nádegas, conforme o padrão
consagrado…
- HAHA Apanharam no bumbum, é? Eu não apanho na
bunda não, isso é coisa de bebê! Minha mãe quando bate, bate para valer, de
arrancar pedaço! Só porradão! Mas eu aguento e nem choro!
- Ih garota qual é? A minha mãe me bate na bunda
porque não quer machucar! Bunda é o lugar feito para bater!
- Bebê, apanhou no bumbum! Bebê, apanhou no bumbum!
HAHA
Chaveirinho
não parava, e uma tarde, na saída da escola, voltou a provocar Andressa, que já
estava no seu limite.
- Corre logo para casa, que senão sua mãe vai bater
no seu bumbum HEHE
- Ih garota, vê se não enche!
- Ih, magoou? Coitada! Mas não responde não, que
senão eu te dou uma surra na bunda HEHE!
- ENTÃO A SUA MÃE NÃO TE BATE NA BUNDA, SÓ TE BATE
NA CARA, NÉ? PERAÍ ENTÃO QUE EU VOU DAR NA SUA CARA, PARA VOCÊ NÃO SENTIR
FALTA! PLAFT!
Rolaram no chão brigando, até que alguém veio
separar. Ao chegar em casa, como era esperado, Andressa levou uma boa surra da
mãe. No dia seguinte, ao entrar em classe, encontrou Chaveirinho
rindo.
- Se preocupa não, que eu já preparei a sua cadeira
para você poder sentar! – Disse a adolescente, apontando para uma almofadinha
que colocara sobre o assento da cadeira de Andressa.
A turma caiu na gargalhada, e Andressa ficou amuada
a um canto. Mas no intervalo, Karina veio a seu encontro com um riso misterioso
nos lábios. Mostrou qualquer coisa em seu celular para a amiga, que também
começou a sorrir…
Lá pelas tantas, ao virar-se para sair do banheiro,
Chaveirinho
levou um susto. Karina e Andressa barraram-lhe o caminho e encurralaram-na a um
canto.
- Lembra disso aqui? Disse Karina, mostrando-lhe
uma certa imagem em seu celular:
Chaveirinho
ficou branca ao ver ali o selfie nua que ela mandara para o ex-namorado. Quis
balbuciar alguma coisa, mas as palavras não saíam.
Eu fiquei com o Terra de Cemitério depois que ele
chutou você, então ele me deu essa lembrancinha! – Revelou Karina.
Terra de Cemitério era como chamavam um garoto bem
ordinário com quem ambas já haviam ficado, e tinha esse apelido porque, diziam,
comia muita gente. Chaveirinho
continuou sem palavras, e Karina prosseguiu:
- Agora eu vou mandar para a sua mãe! Vamos lá!
9-9-5-6…
- NÃO, NÃO, POR FAVOR, NÃÃOOO! – Gritou Chaveirinho,
por fim destravando a língua – ELA VAI ME ARREBENTAR!
- Ué, se preocupa não, ela não vai bater na sua
bunda! – Respondeu Andressa – Você só não admite apanhar na bunda?
- NÃO, NÃO, EU ESTAVA BRINCANDO! MINHA MÃE BATE PRA
CARAMBA! POR FAVOR NÃOOOO EU PEÇO DESCULPAS…
A essa altura Chaveirinho já havia se ajoelhado
no chão do banheiro, e as duas amigas estavam rindo. Andressa respondeu:
- Então vamos fazer o seguinte: para eu não mandar
para a sua mãe, você vai aparecer amanhã lá em casa, que a minha mãe me botou
de castigo e me mandou ficar o dia inteiro fazendo faxina. Então você vai fazer
faxina em meu lugar! Vai ser a minha escravinha HEHE!
Sem outra alternativa Chaveirinho concordou e
jurou que cumpriria o prometido.
- Então não esquece: amanhã lá em casa às dez
horas! Não pode chegar antes, porque senão a minha mãe ainda não saiu! Dez
horas, viu?
No dia seguinte, um sábado radioso, às dez em ponto
Chaveirinho,
bem humilde, tocou a campainha da casa de Andressa. Karina veio atender.
- Andressa, a escrava chegou!
Chaveirinho
sentiu um arrepio na espinha ao ver Andressa aproximando-se bem vestida com uma
calça jeans com apliques de metal, trazendo em mãos um chicotinho tipo rebenque
de equitação, daqueles de palha trançada, cabo com argola de metal e largo na
extremidade.
- Muito bem! Vou te passar a lista que a minha mãe
me deu! Mas tem regras!
Chaveirinho
fez sim com a cabeça, esperando o que ela ia dizer. Andressa prosseguiu:
- Primeira regra: escrava aqui em casa só trabalha
de sutiã e calcinha! Pode ir tirando essa roupa!
Com uma expressão de humilhação e angústia, Chaveirinho
despiu-se, ficando só de sutiã e calcinha, conforme ordenado. Andressa
prosseguiu:
- Você vai começar lavando roupa! Mas tem a segunda
regra: não vai poder usar a máquina, que aqui em casa escrava não usa máquina!
- Pode deixar, eu lavo no tanque – respondeu Chaveirinho,
já amedrontada.
- QUE MANÉ TANQUE O QUE! VAI LAVAR NA BACIA!
Andressa e Karina ficaram rindo de ver Chaveirinho
agachada no chão duro do quintal lavando roupa em uma bacia, como faziam as
escravas antigamente.
- AGORA VAI PASSAR CERA NO CHÃO! MAS SÓ PODE USAR
ESSA ESCOVA AQUI! – Comandou Andressa, passando-lhe uma escovinha mais
própria para tirar a sujeira das frestas.
As duas amigas, entre um telefonema e outro,
ficavam rodeando Chaveirinho
e rindo de vê-la de quatro no chão, esforçando-se para esfregar o assoalho.
Volta e meia Andressa estalava o chicotinho em volta dela, para
assusta-la.
- OLHA A MANCHA AQUI! TEC! ESQUECEU O CANTO TEC!
- Ai, que dor nas costas! – Queixou-se Chaveirinho,
a esta altura já quase chorando – Deixa eu descansar um pouquinho, por favooorrr…
- Que descansar o que! – Respondeu Andressa,
pegando Chaveirinho
pela orelha e torcendo-a.
- Ai ai tá doendo para – Implorou Chaveirinho,
mas Andressa não largou sua orelha. Chaveirinho já começava a sentir
as lágrimas escorrendo por seu rosto, presa de uma indescritível angústia ao
saber-se inteiramente sob o poder de Andressa, tal como uma escrava de verdade,
sem sequer saber quando ela iria soltar-lhe a orelha.
- Olha só, está chorando, o bebê! Anda logo, que o
próximo é lavar vidraça!
Prostrada e humilhada, Chaveirinho
obedecia e cumpria todas as tarefas ordenadas enquanto as duas amigas riam dela
e Karina, para amedronta-la, volta e meia mostrava-lhe a imagem no celular e
fazia comentários desairosos sobre o corpo dela. Lá pelo meio da tarde Karina
estava distraída em frente à janela, quando subitamente gritou:
- CARALHO, ANDRESSA, SUA MÃE ESTÁ VOLTANDO!
Chaveirinho
só teve tempo de se vestir e Andressa tratou de agarrar uma vassoura para
fingir que estava trabalhando quando dona Maria Antônia abriu a porta. Notou de
pronto que alguma coisa estava errada, ao sentir o ar ainda esbaforido das duas
adolescentes.
- Oi, voltei mais cedo. Mas o que está havendo? Ué,
Chaveirinho,
você aqui trabalhando?
- Ah… é que… eu fui obrigada… porquê…
Percebendo que para revelar a verdade, teria também
que falar a respeito de um certo selfie que enviara para um ex-namorado, a
adolescente travou a língua. No silêncio que se fez, daria para escutar o voo
de uma mosca.
- Obrigada? Não estou entendendo…
- É que… a minha mãe me botou de castigo… por causa
da briga… então ela disse… que eu tinha que ajudar a Andressa na faxina…
- Ah, mas que ótimo! Por isso é que a casa está
brilhando! Nunca vi esse chão tão limpo! Pena que vocês só trabalhem direito
quando estão de castigo! Mas eu vou ligar para a sua mãe agradecendo!
As três adolescentes entreolharam-se, mudas,
enquanto viam dona Maria Antônia pegar o telefone para conversar com a vizinha.
- Ahn? O que? A senhora não deu esse
castigo?
Virando-se para contemplar o rosto culpado do trio,
a matrona retornou ao telefone:
- Acho melhor você dar um pulo aqui, que temos que
esclarecer uma ou duas coisinhas…
Enquanto esperavam pela mãe de Chaveirinho,
dona Maria Antônia colocou as três sentadas no sofá, e já avisava:
- Eu quero ver essa história explicada direitinho!
Ei, o que é isso aqui?
A matrona descobrira o chicotinho jogado a um
canto. Andressa estava tão branca que parecia a ponto de desmaiar…
Quando enfim a mãe de Chaveirinho
chegou, o trio não teve alternativa senão contar toda a história desde o
início. Chaveirinho
e Andressa escutaram um sermão enorme, e foram ordenadas baixar as calças e
debruçar-se sobre o sofá. Dona Maria Antônia entregou o chicotinho à mãe de Chaveirinho
- Primeiro as visitas!
- LÉPT! AI ISSO É
PARA VOCÊ APRENDER LÉPT! OH A NÃO
FAZER PIRANHAGEM LÉPT! AI MÃE E SE DAR AO
RESPEITO LÉPT! AIÊÊ PARA NÃO FICAR MAL FALADA LÉPT! AIAI SENÃO VAI APANHAR MAIS LÉPT! OHH NESSA BUNDA LÉPT! LÉPT! LÉPT!
Em seguida ela entregou o chicotinho à dona da
casa, que fê-lo soar sobre o traseiro de Andressa:
- LÉPT! AI ISSO É
PARA VOCÊ APRENDER LÉPT! UI A NÃO
SACANEAR OS OUTROS LÉPT! AI DOEU
ISSO NÃO SE FAZ LÉPT! AI MÃE AI VOCÊS TÊM QUE
SER AMIGAS LÉPT! AIAIAI E TÊM QUE FAZER
AS PAZES LÉPT! LÉPT! LÉPT!
Desta vez sem ânimo para zoar da amiga,
Karina contemplava a cena muda e assustada, perguntando-se se ainda ia
sobrar para ela. Ao final da surra, Chaveirinho e Andressa estavam
prostradas, sem fôlego, caídas uma sobre a outra. Dona Maria Antônia comentou
com a vizinha:
- Mas até que esse chicotinho foi uma boa
aquisição! Vai direto para o meu armário! Hum, a senhora não quer
tomar um cafezinho?
No dia seguinte, na escola, eram duas as
adolescentes com dificuldade para sentar. Chaveirinho não mostrava mais a
arrogância habitual, e até conversava civilizadamente com Karina e Andressa. As
duas amigas tiveram a impressão de que tão cedo Chaveirinho não ia caçoar de
quem apanha no bumbum…
FIM
Criado
por Arnaldo do blog “Já para o quarto moça”
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