domingo, 28 de junho de 2015

Chaveirinho, a escrava - adaptado

Chaveirinho, a escrava

Vamos então deixar a imaginação nos transportar para um dia qualquer em uma escola do subúrbio…
As surras que as amigas Karina e Andressa haviam levado renderam-lhes muita zoação dos colegas, conforme era regra naquela escola. Uma colega com quem elas particularmente não topavam chamava-se Chaveirinho. Era uma menina muito convencida, daquelas que quando começam a zoar, não sabem a hora de parar. Chaveirinho tinha mania de passar-se por adulta, e implicava particularmente com a maneira de bater das mães de Karina e Andressa, só nas nádegas, conforme o padrão consagrado…
- HAHA Apanharam no bumbum, é? Eu não apanho na bunda não, isso é coisa de bebê! Minha mãe quando bate, bate para valer, de arrancar pedaço! Só porradão! Mas eu aguento e nem choro!
- Ih garota qual é? A minha mãe me bate na bunda porque não quer machucar! Bunda é o lugar feito para bater!
- Bebê, apanhou no bumbum! Bebê, apanhou no bumbum! HAHA
Chaveirinho não parava, e uma tarde, na saída da escola, voltou a provocar Andressa, que já estava no seu limite.
- Corre logo para casa, que senão sua mãe vai bater no seu bumbum HEHE
- Ih garota, vê se não enche!
- Ih, magoou? Coitada! Mas não responde não, que senão eu te dou uma surra na bunda HEHE!
- ENTÃO A SUA MÃE NÃO TE BATE NA BUNDA, SÓ TE BATE NA CARA, NÉ? PERAÍ ENTÃO QUE EU VOU DAR NA SUA CARA, PARA VOCÊ NÃO SENTIR FALTA! PLAFT!
Rolaram no chão brigando, até que alguém veio separar. Ao chegar em casa, como era esperado, Andressa levou uma boa surra da mãe. No dia seguinte, ao entrar em classe, encontrou Chaveirinho rindo.
- Se preocupa não, que eu já preparei a sua cadeira para você poder sentar! – Disse a adolescente, apontando para uma almofadinha que colocara sobre o assento da cadeira de Andressa.
A turma caiu na gargalhada, e Andressa ficou amuada a um canto. Mas no intervalo, Karina veio a seu encontro com um riso misterioso nos lábios. Mostrou qualquer coisa em seu celular para a amiga, que também começou a sorrir…
Lá pelas tantas, ao virar-se para sair do banheiro, Chaveirinho levou um susto. Karina e Andressa barraram-lhe o caminho e encurralaram-na a um canto.
- Lembra disso aqui? Disse Karina, mostrando-lhe uma certa imagem em seu celular:
Chaveirinho ficou branca ao ver ali o selfie nua que ela mandara para o ex-namorado. Quis balbuciar alguma coisa, mas as palavras não saíam.
Eu fiquei com o Terra de Cemitério depois que ele chutou você, então ele me deu essa lembrancinha! – Revelou Karina.
Terra de Cemitério era como chamavam um garoto bem ordinário com quem ambas já haviam ficado, e tinha esse apelido porque, diziam, comia muita gente. Chaveirinho continuou sem palavras, e Karina prosseguiu:
- Agora eu vou mandar para a sua mãe! Vamos lá! 9-9-5-6…
- NÃO, NÃO, POR FAVOR, NÃÃOOO! – Gritou Chaveirinho, por fim destravando a língua – ELA VAI ME ARREBENTAR!
- Ué, se preocupa não, ela não vai bater na sua bunda! – Respondeu Andressa – Você só não admite apanhar na bunda?
- NÃO, NÃO, EU ESTAVA BRINCANDO! MINHA MÃE BATE PRA CARAMBA! POR FAVOR NÃOOOO EU PEÇO DESCULPAS…
A essa altura Chaveirinho já havia se ajoelhado no chão do banheiro, e as duas amigas estavam rindo. Andressa respondeu:
- Então vamos fazer o seguinte: para eu não mandar para a sua mãe, você vai aparecer amanhã lá em casa, que a minha mãe me botou de castigo e me mandou ficar o dia inteiro fazendo faxina. Então você vai fazer faxina em meu lugar! Vai ser a minha escravinha HEHE!
Sem outra alternativa Chaveirinho concordou e jurou que cumpriria o prometido.
- Então não esquece: amanhã lá em casa às dez horas! Não pode chegar antes, porque senão a minha mãe ainda não saiu! Dez horas, viu?
No dia seguinte, um sábado radioso, às dez em ponto Chaveirinho, bem humilde, tocou a campainha da casa de Andressa. Karina veio atender.
- Andressa, a escrava chegou!
Chaveirinho sentiu um arrepio na espinha ao ver Andressa aproximando-se bem vestida com uma calça jeans com apliques de metal, trazendo em mãos um chicotinho tipo rebenque de equitação, daqueles de palha trançada, cabo com argola de metal e largo na extremidade.
- Muito bem! Vou te passar a lista que a minha mãe me deu! Mas tem regras!
Chaveirinho fez sim com a cabeça, esperando o que ela ia dizer. Andressa prosseguiu:
- Primeira regra: escrava aqui em casa só trabalha de sutiã e calcinha! Pode ir tirando essa roupa!
Com uma expressão de humilhação e angústia, Chaveirinho despiu-se, ficando só de sutiã e calcinha, conforme ordenado. Andressa prosseguiu:
- Você vai começar lavando roupa! Mas tem a segunda regra: não vai poder usar a máquina, que aqui em casa escrava não usa máquina!
- Pode deixar, eu lavo no tanque – respondeu Chaveirinho, já amedrontada.
- QUE MANÉ TANQUE O QUE! VAI LAVAR NA BACIA!
Andressa e Karina ficaram rindo de ver Chaveirinho agachada no chão duro do quintal lavando roupa em uma bacia, como faziam as escravas antigamente.
- AGORA VAI PASSAR CERA NO CHÃO! MAS SÓ PODE USAR ESSA ESCOVA AQUI! – Comandou Andressa, passando-lhe uma escovinha mais própria para tirar a sujeira das frestas.
As duas amigas, entre um telefonema e outro, ficavam rodeando Chaveirinho e rindo de vê-la de quatro no chão, esforçando-se para esfregar o assoalho. Volta e meia Andressa estalava o chicotinho em volta dela, para assusta-la.
- OLHA A MANCHA AQUI! TEC! ESQUECEU O CANTO TEC!
- Ai, que dor nas costas! – Queixou-se Chaveirinho, a esta altura já quase chorando – Deixa eu descansar um pouquinho, por favooorrr…
- Que descansar o que! – Respondeu Andressa, pegando Chaveirinho pela orelha e torcendo-a.
- Ai ai tá doendo para – Implorou Chaveirinho, mas Andressa não largou sua orelha. Chaveirinho já começava a sentir as lágrimas escorrendo por seu rosto, presa de uma indescritível angústia ao saber-se inteiramente sob o poder de Andressa, tal como uma escrava de verdade, sem sequer saber quando ela iria soltar-lhe a orelha.
- Olha só, está chorando, o bebê! Anda logo, que o próximo é lavar vidraça!
Prostrada e humilhada, Chaveirinho obedecia e cumpria todas as tarefas ordenadas enquanto as duas amigas riam dela e Karina, para amedronta-la, volta e meia mostrava-lhe a imagem no celular e fazia comentários desairosos sobre o corpo dela. Lá pelo meio da tarde Karina estava distraída em frente à janela, quando subitamente gritou:
- CARALHO, ANDRESSA, SUA MÃE ESTÁ VOLTANDO!
Chaveirinho só teve tempo de se vestir e Andressa tratou de agarrar uma vassoura para fingir que estava trabalhando quando dona Maria Antônia abriu a porta. Notou de pronto que alguma coisa estava errada, ao sentir o ar ainda esbaforido das duas adolescentes.
- Oi, voltei mais cedo. Mas o que está havendo? Ué, Chaveirinho, você aqui trabalhando?
- Ah… é que… eu fui obrigada… porquê…
Percebendo que para revelar a verdade, teria também que falar a respeito de um certo selfie que enviara para um ex-namorado, a adolescente travou a língua. No silêncio que se fez, daria para escutar o voo de uma mosca.
- Obrigada? Não estou entendendo…
- É que… a minha mãe me botou de castigo… por causa da briga… então ela disse… que eu tinha que ajudar a Andressa na faxina…
- Ah, mas que ótimo! Por isso é que a casa está brilhando! Nunca vi esse chão tão limpo! Pena que vocês só trabalhem direito quando estão de castigo! Mas eu vou ligar para a sua mãe agradecendo!
As três adolescentes entreolharam-se, mudas, enquanto viam dona Maria Antônia pegar o telefone para conversar com a vizinha.
- Ahn? O que? A senhora não deu esse castigo?
Virando-se para contemplar o rosto culpado do trio, a matrona retornou ao telefone:
- Acho melhor você dar um pulo aqui, que temos que esclarecer uma ou duas coisinhas…
Enquanto esperavam pela mãe de Chaveirinho, dona Maria Antônia colocou as três sentadas no sofá, e já avisava:
- Eu quero ver essa história explicada direitinho! Ei, o que é isso aqui?
A matrona descobrira o chicotinho jogado a um canto. Andressa estava tão branca que parecia a ponto de desmaiar…
Quando enfim a mãe de Chaveirinho chegou, o trio não teve alternativa senão contar toda a história desde o início. Chaveirinho e Andressa escutaram um sermão enorme, e foram ordenadas baixar as calças e debruçar-se sobre o sofá. Dona Maria Antônia entregou o chicotinho à mãe de Chaveirinho
- Primeiro as visitas!
LÉPT! AI ISSO É PARA VOCÊ APRENDER LÉPT! OH A NÃO FAZER PIRANHAGEM LÉPT! AI MÃE E SE DAR AO RESPEITO LÉPT! AIÊÊ PARA NÃO FICAR MAL FALADA LÉPT! AIAI SENÃO VAI APANHAR MAIS LÉPT! OHH NESSA BUNDA LÉPT! LÉPT! LÉPT!
Em seguida ela entregou o chicotinho à dona da casa, que fê-lo soar sobre o traseiro de Andressa:
LÉPT! AI ISSO É PARA VOCÊ APRENDER LÉPT! UI A NÃO SACANEAR OS OUTROS LÉPT! AI DOEU ISSO NÃO SE FAZ LÉPT! AI MÃE AI VOCÊS TÊM QUE SER AMIGAS LÉPT! AIAIAI E TÊM QUE FAZER AS PAZES LÉPT! LÉPT! LÉPT!
Desta vez sem ânimo para zoar da amiga, Karina contemplava a cena muda e assustada, perguntando-se se ainda ia sobrar para ela. Ao final da surra, Chaveirinho e Andressa estavam prostradas, sem fôlego, caídas uma sobre a outra. Dona Maria Antônia comentou com a vizinha:
- Mas até que esse chicotinho foi uma boa aquisição! Vai direto para o meu armário! Hum, a senhora não quer tomar um cafezinho?
No dia seguinte, na escola, eram duas as adolescentes com dificuldade para sentar. Chaveirinho não mostrava mais a arrogância habitual, e até conversava civilizadamente com Karina e Andressa. As duas amigas tiveram a impressão de que tão cedo Chaveirinho não ia caçoar de quem apanha no bumbum…
FIM

Criado por Arnaldo do blog “Já para o quarto moça”

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