segunda-feira, 29 de junho de 2015

Conto 11


 Era uma vez, uma família dessas normais formada 

de um casal e dois filhos. Cidade pequena, gente humilde, honesta e trabalhadora, Hezel mãe de duas filhas Chaveirinho e Rafaella  a caçula, não trabalhava apenas cuidava da casa e da família, casada com Keddy que trabalhava firme pra sustenta-las, essa família passava por uma situação bem difícil emocionalmente. Era nítido, todos os vizinhos, amigos etc sabiam do desprezo que Keddy e Hezel tinham por Chaveirinho. Filha mais velha sempre era a responsável por cuidar de tudo, tinha muitas obrigações incumbidas a ela como por exemplo ser a primeira a acordar para fazer o café da manhã de seus pais e irmã, obrigação de tirar as melhores notas na escola, obrigação de aceitar sempre tudo calada e obedecer seus pais a qualquer custo.
- Mas que cheiro é esse? Chaveirinho você ta deixando a comida queimar?
- ai meu deus, mae! Caramba! Nossa! Queimou sim! A carne, ai que droga!
-Garota burra viu! Você sabe quanto custa isso? O que vc estava fazendo para deixar isso queimar?
-Eu estava lavando a roupa mãe. Desculpa!
- Vou ti ensinar a ser mais atenta.
Hezel pega a vassoura e começa a bater nas pernas e costas da filha. Manda ela retornar a cozinha para providenciar algo para o almoço. Keddy chega faminta.
- Ow Hezel! Bora bota minha comida! Eu não tenho muito tempo, tenho que voltar ao trabalho. To varada de fome!
Keddy se senta à mesa, todos também sentam.
- Ovos??? Mas que porra é essa? Eu comprei carne, tem carne ai pq não fizeram?
- eu fiz, pai. Mas queimou! Não dá pra comer, desculpa.
- não acredito! Sua imbecil! Eu to com fome, eu trabalho o dia todo e eu preciso comer. Carne custa caro. Mas você vai aprender uma lição.
Keddy dá um sorriso irônico. Manda a filha ir para o quarto, Chaveirinho não vai almoçar nem comer nada, vai passar o dia com fome por causa do ocorrido. Ela já entra chorando em seu quarto, sabe o quanto seu pai é ruim. Se ajoelha ao lado da cama, esta tremula. Sente seu corpo formigar, sabe que sentira dor como chama ardente.
- Pai! Eu estava a lavando a roupa, eu fiz tudo pai! Eu limpei a casa, o banheiro, ajudei a Rafaella  com a lição. Eu só não prestei muita atenção pq eu estava lavando a roupa la fora, por favor pai me entenda!
Pela sombra da parede Chaveirinho consegue ver o cinto entrançado e dobrado nas mãos de Keddy, ela vê o movimento que o pai faz pela sombra e no seu corpo sente a força do impacto: Splash! Ela tenta se segurar para não gemer, sabe que se levantar a voz é pior, chora em silencio. Splash! Splash! Splash! Splash! Splash! Splash! Chaveirinho se contorcia calada e por fim, não aguentando mais, virou-se, com lágrimas nos olhos:
- Pai, ta doendo! Me perdoa! Não foi pq eu quis.
Keddy da um tapa na filha.
- Vire-se sua peste... Voce não serve pra nada, nem pra fazer uma comida que preste!
Chaveirinho se virou e continuou a receber mais e mais cintadas: Splash! Splash! Splash! Splash!

Mais uma vez não conseguiu aguentar, e virou-se novamente. Estava chorando e não conseguiu dizer uma palavra. Irritada, Keddy ordenou que ela virasse novamente. Sem pensar em nada, Chaveirinho obedeceu, e desta vez Keddy tratou de colocar uma mão sobre a cabeça da filha, a fim de mante-la na posição. Splash! Splash! Splah! Splash! 
- ai, ta doendo! Desculpa eu não faço mais. Ai! Ann! Aiii! Pai ta machucando!
As marcas começam a aparecer no corpo da pequena. Keddy então sai e deixa Chaveirinho la chorando. O dia se passa, Chaveirinho, como sempre quieta e calada faz os serviços da casa normalmente. Já é noite e Keddy chega em casa. Começa a quebrar coisas, e a reclamar da vida sem motivo aparente.

- Hezel! Você deveria ter abortado essa maldita! Essa menina só me dá prejuízo.
- Amor, para! Vem tomar banho, você está fora de si.
Keddy empurra Hezel, e lhe dá uns puxões no cabelo: - A culpa disso tudo é sua, se você tivesse abortado ela, tudo estaria bem! Agora temos que conviver sempre com isso, sempre olhando pra ela e lembrando o passado!
-Keddy, para ta me machucando! Eu não tenho culpa disso! Que droga! Voce bebe e vem descontar em mim.
Keddy volta a quebrar coisas, Hezel tenta impedir e Keddy parte pra agressão, da uns tapas na esposa, fala coisas humilhantes. Chaveirinho ouve tudo e fica chorando abraçada com Rafaella, não entende pq é tao odiada pelos pais. Sai de onde esta e se mete na confusão para defender a mae.
- Para pai! Não bate na mae, Para!
- ah chegou a heroína... Sua imbecil, quem você pensa que é pra falar assim comigo? Ela é minha mulher e eu faço o que eu quiser com ela. E você vai pagar por se meter em briga de casal.
Keddy começa a dar uma surra na filha, tapas, chutes, humilhações de todo tipo. Na sequencia, Chaveirinho vai para seu quarto. Keddy toma banho e dorme. Hezel vai ate onde Chaveirinho:
- A pior coisa que aconteceu na minha vida foi vc. Voce acabou com meu casamento. Eu ti odeio com todo meu coração. Eu tenho nojo de você.
- Pq a senhora ta dizendo isso, mae? Eu ti amo! Pq a senhora me odeia? Eu sou feia? Eu sou burra? O que eu fiz de tao mal mae?
- Voce existe esse é o problema!
Hezel cospe na filha e sai do quarto. Algumas horas se passam, já eh madrugada e todos estão dormindo. Keddy se levanta, deixa a esposa dormindo e se dirige a Chaveirinho.
- Acorda vagabunda!
- Pai!? O Que houve agora?
- eu me cansei de você. Eu me cansei de tudo! Voce devia ser igual a Rafaella, mas você é desprezível!
- Pai me fala o que fiz por favor! Pai eu amo muito você e a mamãe, eu não entendo pq vcs me odeiam. Eu tento fazer tudo pra agradar vocês mas nunca consigo.
- Voce me agradaria bem mais se não existisse!!! Agora eu vou ti ensinar uma lição sobre a vida.
Keddy agarra Chaveirinho pelo braço e a leva ate o porão de casa e tranca a porta... Keddy acende a luz, ao fundo do porão tem um colchão onde por muitas vezes Chaveirinho passava a noite como um castigo.
- Paizinho, não me bate mais por favor pai! Eu te peço perdão por todo mal que eu causei a você e a mamãe, por favor, pai! Se você quiser eu posso ir embora dessa casa, mas por favor pai não me machuca mais!
- você vai passar tudo que sua mãe passou! você vai sentir a dor que ela sentiu sua desgraçada!
Keddy prende as mãos de Chaveirinho e tira a roupa da filha.
- O que você vai fazer comigo pai? Pai eu amo você...
Keddy comete abuso sexual com a filha. Maltrata os seios da pequena, dar tapas em seu rosto, brutalmente enfia dois dedos na vagina da garota, que ate então era virgem. Gritos, choro, pedidos de misericórdia, tudo em vão. Keddy não parava machucava a pequena com toda força, agora colocando 3 três dedos, de uma vez sem pausa, mexendo os dedos com força e com rapidez. Mais alguns tapas. Chaveirinho chora, se contorce, grita
- Paaii, pq vc ta fazendo isso comigo?? Ta machucando, para eu ti imploro, para pai eu sou virgem para! O que fiz para merecer isso? Aaaiii haaannn
Keddy está irredutível. Termina o serviço, sangue escorre. Chaveirinho fica la deitada, imóvel. A pequena está em choque, não consegue se mover. Keddy sai do porão. Dia seguinte
- Onde está a Chaveirinho que ainda não fez o café da manhã? Eu vou acordar ela agora e vou arrebentar ela. Fala Hezel.
Hezel entra no quarto da filha, percebe que a menina não está lá, começa a procurar ela pela casa.
- Eu já dei um jeito na Chaveirinho, Hezel! Eu já dei o que ela merecia. Eu vinguei aquela maldita noite, o desgraçado que abusou de você e fez vc gerar um filho dele, eu me vinguei! Olhar pra essa garota e lembrar daquele filho da puta me da ódio! Pelo menos agora ela sabe o sofrimento que trouxe a você.
- Amor, o que vc fez com a nossa filha?
-Nossa filha o caramba! Filha de um bandido, desgraçado, que estuprou a minha mulher. Nossa filha é a Rafaella, minha princesinha, sangue do meu sangue. Essa menina eh maldita. Você nunca conseguiu superar esse trauma pq cada vez que vc olha pra ela você lembra dele.
Hezel entra em choque. Não acredita na atitude de Keddy, lembra da dor e da humilhação que passou e vê isso se repetir novamente com a sua filha. Começa a pensar em todas as atitudes de Chaveirinho, sempre estava ali presente pronta para agradar a família a qualquer custo.
- Onde ta minha filha? Onde a Chaveirinho está?
- Agora ela é sua filha? Ta ficando doida Hezel? Ela está no porão deixei de castigo.
Hezel corre para ver a menina e se assusta com o que vê. Deitada de lado, virada para parede, encolhida do mesmo jeito que aconteceu no passado. A posição humilhante em que se encontrava Chaveirinho, a roupa rasgada, o lugar frio, o medo, tudo estava se repetindo novamente. La fora a chuva começa a cair, igualzinho ao passado...

Hezel abraça a menina que não expressa nenhuma reação, simplesmente não se move.
-Filha! Ow Filha!! Eu não consigo achar palavras pra ti pedir perdão. Eu fui abusada sexualmente ainda jovem e então fiquei gravida. Eu já namorava seu pai e já estávamos de casamento marcado. Por vezes, seu pai insistiu que eu abortasse mas eu preferi não fazer isso, afinal tinha uma vida dentro de mim. E agora eu vejo você aqui na mesma situação que eu, aah filha... Como está sendo doloroso pra mim ti ver assim nesse estado, parece que estou revivendo tudo de novo. Me perdoa por todo mal que ti causei, eu nunca consegui superar de fato o que houve e acabei descontando tudo em vc que não teve culpa de nada.
Keddy se aproxima. Chaveirinho permanece calada, apenas olha para o pai.
- Não se aproxima da minha filha, Keddy! Nunca mais encoste na minha filha seu monstro!
- Monstro? Agora eu sou monstro? Você aceita ter o filho de um cara que te estuprou, quando vc olha pra ela vc lembra dele o tempo todo, vc tem pesadelos, você maltrata ela pra ver se consegue se sentir melhor, eu tento ajudar vc e eu sou o monstro? Eu fiz isso pq não aguentava mais ver você sofrer por algo que aconteceu a 17 anos atrás.
- Keddy, como nós fomos tão cruéis. Essa menina não tem culpa de nada olha o que fizemos com ela, a que ponto chegamos! Aceite você ou não era ela que sempre estava tentando nos agradar, ela era atenciosa, sempre se esforçava em tudo pra ver se conseguia um pouco da nossa atenção e no entanto a única coisa que ela teve foi desprezo.
- Você ta defendendo alguém que ti faz mal, Hezel?
- Ela não me fez mal algum, a única pessoa que me fez mal a 17 anos foi aquele maldito. Mas essa criança nunca me fez nada. Ate você já me fez mal, você chega bêbada, quebra coisas, me bate, todo fim de semana é a mesma coisa.
Keddy e Hezel brigam bastante, levam a filha para o quarto afim de tentar amenizar o problema. No dia seguinte, Rafaella está voltando da casa de uma amiga, já é noite e chove, de repente um homem aparece e puxa Rafaella pelo braço. Ela grita, ele tenta estupra-la, leva para um beco escuro e chega a tocar em seu corpo ainda. Alguém aparece de repente no meio da cena, é Chaveirinho que enfrenta o homem afim de salvar a irmã. Como já estava perto de casa, Rafaella corre e chama seu pai. Explica o que aconteceu e os dois correm ate o beco onde estão Chaveirinho e o homem. Keddy enfrenta o homem e o deixa quase morto no chão com uma surra, resgata Chaveirinho que quase foi abusada por ele. Keddy então reconhece o homem, é o mesmo homem que havia estuprado sua esposa a 17 anos atrás, em um ato de fúria Keddy termina por mata-lo com golpes na cabeça, então foge com as filhas já que aparentemente não havia testemunhas.
Em casa elas contam como tudo aconteceu. O mistério é, como Chaveirinho apareceu la de repente para salvar a irmã? Ela explica que pretendia se matar, então saiu de casa sem ninguém perceber, iria pular da ponte pois não aguentava mais ser um estorvo na vida da sua família, quando estava se dirigindo pra la ouviu os gritos e resolveu ver o que estava acontecendo, quando reconheceu que era sua irmã, sem pensar duas vezes correu no intuito de salva-la.
Hezel e Keddy ficam chocadas. Elas conversaram com as filhas e buscaram ajuda psicológicas para toda a família. Agora elas também frequentam a igreja do bairro, Keddy já não bebe mais e também não usa mais de violência com a esposa e filhas. As coisas melhoraram e elas são felizes para sempre...


FIM

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