domingo, 28 de junho de 2015

Conto 5


Me chamo Chaveirinho, 
tenho uma família linda. Minha mãe Day que é um amor de pessoa e meu pai Adda que é meu melhor amigo. Eu e meu pai tínhamos uma relação linda de amizade, ele era engraçado e a gente sempre contava um com o outro pra tudo, mesmo quando ele estava zangado ele era fofo e a gente se divertia muito. A relação com a minha mãe também era bem amigável, sempre que eu precisava ela estava lá para me ajudar, as vezes ela era meio estressada, aliás ela era bem estressada, quer dizer, ta, ela era bastante estressada, mas isso não tirava o mérito dela de ser uma pessoa maravilhosa.
Eu e minha família perfeita praticamos Rugby (que é o esporte que deu origem ao futebol americano, mas a gente n usa aqueles capacetes e toda aquela proteção exagerada. Rugby é estratégia, inteligência, disciplina, respeito enfim eu poderia passar o dia todo falando dos princípios do Rugby, mas vamos ao que interessa), além disso eu também pratico JiuJitsu e meus pais me apoiam bastante. Entretanto a uns 4 meses atrás, esse lance de família perfeita tem mudado bastante. Meu pai tem se tornado um cara ignorante, chato e intolerante, as vezes ele me bate tenho em meu corpo marcas das suas agressões e na minha memória estão as lembranças de quem ele era. Meu pai me bate por qualquer motivo: por não saber algo, por não treinar direito, por tirar alguma nota abaixo de nove, ou simplesmente por esquecer algo.
A verdade é meu pai se sente duplamente traído, pois um dia a minha mãe o traiu com uma jogadora do nosso time e desde então jogar Rugby se tornou uma guerra, já que meu pai quer ser sempre o melhor em campo e essa tal garota da traição se tornou um alvo de competição pessoal pra ele. E por mim, que peguei a mamãe no flagra aos beijos com essa garota e na opinião do meu pai, como eu e ele éramos melhores amigos eu deveria ter dito, mas não o fiz.
- Outra vez? Nota baixa outra vez, sua estupida!?!?!
- Desculpa pai, eu não consegui aprender equações. Eu me esforcei, juro, mas não deu.
- Não se esforçou o suficiente! Eu sou engenheiro, vc deveria dominar matemática, mas vc me envergonha. Como pode tirar 6?
Meu pai pegou um cinto e colocou na mão, colocou os livros na mesa e começou a me ensinar as equações. Cada erro que eu cometia meu pai me batia com o cinto, ele tinha muita força chegava a rasgar minha pele.
- Isso ta errado! X é 18 e não 25, presta atenção!

Eu já tinha feito o mesmo cálculo 3 vezes e o resultado continuava a dar 25, eu apanhava e em meio as lagrimas eu tentava acertar os cálculos mas estava impossível. Minha mãe ficava de longe olhando tudo. Meu pai mesmo se pôs a fazer o tal calculo e pra minha surpresa, o resultado é que x valia mesmo 25. Ao final meu pai apenas falou que aquilo era pra eu aprender a dominar a matemática, que eu sempre deveria ter certeza do que eu faço, sem se importar com opiniões alheias porque os números nunca mentem, eu sempre deveria estar certa de que fiz as coisas como deveriam ser. Essa atitude do meu pai me deixou irada por dentro, eu estava com vontade de sumir dali e nunca mais voltar.
Adda era capitã do time, nos arrumamos para treinar, chegando lá eu não estava me sentindo muito bem, ainda estava chateada por conta dos cálculos. Eu com certeza odiava matemática e agora mais ainda. Na verdade eu estava odiando meu pai, mas eu tentava desviar esse ódio pros números, pois apesar de tudo eu o amava.
Durante o treino meu pai ficou furioso pois aquela tal garota da traição estava com a posse da bola e eu deveria tacklea-la (derrubar o adversário qd ele está em posse da bola) mas não consegui, então ele na maior ignorância na frente de todo mundo me puxou pelo braço até um canto e começou a brigar comigo:
- Como você quer jogar Rugby se não sabe tacklear? Basta você derrubar ela, leva-la ao chão apenas isso. Será que eu terei que desenhar pra você?

- Pai, eu não consegui alcança-la. Ela correu muito rápido.
- Não venha com desculpas bobas para sua incompetência! Se ela é forte, seja mais que ela, se ela é rápida seja mais do que ela! Agora você vai voltar lá, tacklear essa garota e manda-la direto pro inferno entendeu?
- Pai, é so um treino. Não precisa ser tão duro!
- Essa é a diferença de vencedores e fracassados. Vencedores dão tudo de si nos treinos. Vai dizer que está com peninha dela? Ta do ladinho dela agora? Ah é esqueci, você nunca esteve do meu lado mesmo!
Meu pai saiu furioso, estava mais bruto que o normal, logo ele é um cara de muita força. No caminho pra casa ninguém sequer dava uma palavra. Meu pai estava sério, eu estava quieta mas no fundo estava morrendo de medo.
- Day você já fez as compras das coisas que eu pedi?
- Já, Adda!
-Olha fala comigo direito, eu só fiz uma pergunta
- Adda, o que foi aquilo? Eu fiquei morrendo de vergonha todo mundo viu o tamanho da sua ignorância com a nossa filha, principalmente por algo que ela nem teve culpa.
- E você queria o que? Que a menina marcasse um Try? O dever da Chaveirinho era derrubar a garota, mas ela não o fez. E ao que me parece vcs tão tudo com peninha da garota lá.
- Jogamos Rugby! Isso não é boxe, você estava incentivando Chaveirinho à violência.
- Ah então quer dizer que quando a vadia pegar na bola, a Chaveirinho vai tacklear ela devagarinho pra ela não se machucar tadinha. Você ta defendendo ela? Você ainda tem alguma coisa com ela Dayane?
- Não tenho nada com ninguém, Adda!
- Foi isso que vc me falou da última vez enquanto me colocava um par de chifres.
- Pai deixa isso pra lá, pai! – Falei em tom de desespero me metendo na discussão.
Meus pais discutindo estava me deixando nervosa, eu tremia um pouco mas tentava disfarçar. Quando chegamos em casa meu pai saiu do carro e puxou minha mãe pelos cabelos arrastando-a para a sala. A essa altura eu encostei na parede e fiquei vendo meu pai espancar minha mãe, eu estava tremula e chorava em pânico. Fiquei imaginando que tipo de filha sou eu, se eu entrasse no meio para proteger minha mãe meu pai me odiaria, mas se eu não fizesse nada minha mãe sairia bem machucada. Ela até conseguiu empurrar meu pai e correr mas ele a alcançou e bateu com a cabeça dela na parede. Eu juro que gritei pro meu pai parar mas ele me olhou de um jeito tão assustador que eu me calei e voltei ao meu cantinho. Tapas, muitos tapas, minha mãe chorava e implorava pro meu pai parar, eu também chorava vendo aquela cena até que tomei coragem e resolvi me meter. Eu já sabia as consequências mas não consegui ver meu pai bater na minha mãe desse jeito, então apanhei do meu pai, apanhei muito por ter me metido, eu fiquei no chão eu mal podia me mexer. Depois da surra minha mãe cuidou de mim eu não conseguia me movimentar de tanta dor, foram tantos chutes, tapas, socos, estava tonta acho que se me perguntassem meu nome eu não saberia.
Eu não reconhecia mais a minha família, minha mãe estava tão estressada que as vezes sem querer ela chegava a descontar em mim, gritava comigo, me tratava mal sem motivo. Três dias depois daquela surra eu tinha acabado de chegar do treino de JiuJitsu, no tatame era o único lugar que eu ficava em paz, era por volta de oito da noite e meu pai também tinha acabado de chegar. Eu o vi abraçando minha mãe por trás, ela tentava se sair e ele abraçava ela meio que forçadamente. Comecei a observar aquilo, ele beijava o pescoço dela e ela tentando se afastar, então ele perdeu a paciência e começou a insinuar que ela estava traindo-o de novo e por isso não queria mais saber dele. Ela o empurrou e tentou sair mas ele ficou furioso e jogou ela no sofá. Meu pai dava cada tapa forte na minha mãe que me arrepiava o corpo
- Eu que ti sustento, a roupa que tu veste, a comida que tu come, as coisas que vc tem, saem do meu bolso. Eu ti trato como uma princesa, te respeito, ti dou tudo e você me troca pela primeira puta que aparece! Eu era romântico com vc, mas mulher gosta é de ser tratada como cadela mesmo, sua cretina!
- Adda, para! Eu não estou ti traindo caralho...
Quanto mais ele lembrava do passado, mais ele batia nela, até que meu pai chegou a rasgar a roupa dela. Nessa hora eu mais uma vez me meti na confusão.
- Você gosta mesmo de apanhar ne garota? Vai defender sua mãe de novo? Então se prepara.
Eu não aguentava mais aquela situação então decidi reagir de verdade, aquele não era mais o meu pai, entramos em luta corporal e começamos a medir forças. Então eu acabei utilizando o JiuJitsu contra ele, eu o imobilizei e comecei a chorar me lembrando de quem ele era. Andávamos de bicicleta, saiamos para admirar garotas, brincávamos, ele era meu melhor amigo mas agora estava quase sem ar com um triangulo encaixado em seu pescoço. Então eu o soltei e ele novamente veio pra cima de mim.
- Pai eu ti odeio! – Gritei.
Então ao ouvir isso ele parou e saiu. Trancou-se no quarto. Eu corri pra onde minha mãe estava mas ela simplesmente me rejeitou por causa da atitude que eu tive.
No dia seguinte ele foi até mim, juro que tremi na base eu já estava pronta para apanhar mais uma vez ou pra ser expulsa de casa mas ele me abraçou e começou a chorar.
- Filha eu... me perdoa... eu amo muito você eu não quero perder a minha família. Filha me ajude a perdoar sua mãe. Eu me lembro daquilo e me sinto envergonhada de ir pro Rugby e saber que todo mundo me olha e me acha otária. Filha vc me odeia mesmo?
- Não odeio você. Odeio suas atitudes. Eu me lembro de quem vc era e vejo o que se tornou isso dói muito.
Eu e meu pai fizemos as pazes, ele também fez as pazes com a minha mãe e parecem que voltaram ao normal. Eles procuraram ajuda de um psicólogo, entretanto eu não quis ir ao psicólogo, pois ver minha mãe e meu pai juntos e rindo outra vez já foram suficientes pra eu superar e deletar da minha vida essa situação que passamos. E assim a gente ta sendo feliz para sempre ou pelo menos por enquanto!

FIM

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