Me
chamo Chaveirinho,
tenho uma família linda. Minha mãe Day que é um amor de pessoa e meu pai Adda que é meu melhor amigo. Eu e meu pai tínhamos uma relação linda de amizade, ele era engraçado e a gente sempre contava um com o outro pra tudo, mesmo quando ele estava zangado ele era fofo e a gente se divertia muito. A relação com a minha mãe também era bem amigável, sempre que eu precisava ela estava lá para me ajudar, as vezes ela era meio estressada, aliás ela era bem estressada, quer dizer, ta, ela era bastante estressada, mas isso não tirava o mérito dela de ser uma pessoa maravilhosa.
tenho uma família linda. Minha mãe Day que é um amor de pessoa e meu pai Adda que é meu melhor amigo. Eu e meu pai tínhamos uma relação linda de amizade, ele era engraçado e a gente sempre contava um com o outro pra tudo, mesmo quando ele estava zangado ele era fofo e a gente se divertia muito. A relação com a minha mãe também era bem amigável, sempre que eu precisava ela estava lá para me ajudar, as vezes ela era meio estressada, aliás ela era bem estressada, quer dizer, ta, ela era bastante estressada, mas isso não tirava o mérito dela de ser uma pessoa maravilhosa.
Eu
e minha família perfeita praticamos Rugby (que é o esporte que deu origem ao
futebol americano, mas a gente n usa aqueles capacetes e toda aquela proteção
exagerada. Rugby é estratégia, inteligência, disciplina, respeito enfim eu
poderia passar o dia todo falando dos princípios do Rugby, mas vamos ao que interessa),
além disso eu também pratico JiuJitsu e meus pais me apoiam bastante.
Entretanto a uns 4 meses atrás, esse lance de família perfeita tem mudado
bastante. Meu pai tem se tornado um cara ignorante, chato e intolerante, as
vezes ele me bate tenho em meu corpo marcas das suas agressões e na minha
memória estão as lembranças de quem ele era. Meu pai me bate por qualquer
motivo: por não saber algo, por não treinar direito, por tirar alguma nota
abaixo de nove, ou simplesmente por esquecer algo.
A
verdade é meu pai se sente duplamente traído, pois um dia a minha mãe o traiu
com uma jogadora do nosso time e desde então jogar Rugby se tornou uma guerra,
já que meu pai quer ser sempre o melhor em campo e essa tal garota da traição
se tornou um alvo de competição pessoal pra ele. E por mim, que peguei a mamãe
no flagra aos beijos com essa garota e na opinião do meu pai, como eu e ele
éramos melhores amigos eu deveria ter dito, mas não o fiz.
-
Outra vez? Nota baixa outra vez, sua estupida!?!?!
-
Desculpa pai, eu não consegui aprender equações. Eu me esforcei, juro, mas não
deu.
-
Não se esforçou o suficiente! Eu sou engenheiro, vc deveria dominar matemática,
mas vc me envergonha. Como pode tirar 6?
Meu
pai pegou um cinto e colocou na mão, colocou os livros na mesa e começou a me
ensinar as equações. Cada erro que eu cometia meu pai me batia com o cinto, ele
tinha muita força chegava a rasgar minha pele.
-
Isso ta errado! X é 18 e não 25, presta atenção!
Eu
já tinha feito o mesmo cálculo 3 vezes e o resultado continuava a dar 25, eu
apanhava e em meio as lagrimas eu tentava acertar os cálculos mas estava
impossível. Minha mãe ficava de longe olhando tudo. Meu pai mesmo se pôs a
fazer o tal calculo e pra minha surpresa, o resultado é que x valia mesmo 25.
Ao final meu pai apenas falou que aquilo era pra eu aprender a dominar a
matemática, que eu sempre deveria ter certeza do que eu faço, sem se importar
com opiniões alheias porque os números nunca mentem, eu sempre deveria estar
certa de que fiz as coisas como deveriam ser. Essa atitude do meu pai me deixou
irada por dentro, eu estava com vontade de sumir dali e nunca mais voltar.
Adda
era capitã do time, nos arrumamos para treinar, chegando lá eu não estava me
sentindo muito bem, ainda estava chateada por conta dos cálculos. Eu com
certeza odiava matemática e agora mais ainda. Na verdade eu estava odiando meu
pai, mas eu tentava desviar esse ódio pros números, pois apesar de tudo eu o
amava.
Durante
o treino meu pai ficou furioso pois aquela tal garota da traição estava com a
posse da bola e eu deveria tacklea-la (derrubar o adversário qd ele está em
posse da bola) mas não consegui, então ele na maior ignorância na frente de
todo mundo me puxou pelo braço até um canto e começou a brigar comigo:
-
Como você quer jogar Rugby se não sabe tacklear? Basta você derrubar ela,
leva-la ao chão apenas isso. Será que eu terei que desenhar pra você?
- Pai,
eu não consegui alcança-la. Ela correu muito rápido.
-
Não venha com desculpas bobas para sua incompetência! Se ela é forte, seja mais
que ela, se ela é rápida seja mais do que ela! Agora você vai voltar lá, tacklear
essa garota e manda-la direto pro inferno entendeu?
-
Pai, é so um treino. Não precisa ser tão duro!
-
Essa é a diferença de vencedores e fracassados. Vencedores dão tudo de si nos
treinos. Vai dizer que está com peninha dela? Ta do ladinho dela agora? Ah é
esqueci, você nunca esteve do meu lado mesmo!
Meu
pai saiu furioso, estava mais bruto que o normal, logo ele é um cara de muita
força. No caminho pra casa ninguém sequer dava uma palavra. Meu pai estava
sério, eu estava quieta mas no fundo estava morrendo de medo.
-
Day você já fez as compras das coisas que eu pedi?
-
Já, Adda!
-Olha
fala comigo direito, eu só fiz uma pergunta
-
Adda, o que foi aquilo? Eu fiquei morrendo de vergonha todo mundo viu o tamanho
da sua ignorância com a nossa filha, principalmente por algo que ela nem teve
culpa.
-
E você queria o que? Que a menina marcasse um Try? O dever da Chaveirinho era
derrubar a garota, mas ela não o fez. E ao que me parece vcs tão tudo com
peninha da garota lá.
-
Jogamos Rugby! Isso não é boxe, você estava incentivando Chaveirinho à
violência.
-
Ah então quer dizer que quando a vadia pegar na bola, a Chaveirinho vai
tacklear ela devagarinho pra ela não se machucar tadinha. Você ta defendendo
ela? Você ainda tem alguma coisa com ela Dayane?
-
Não tenho nada com ninguém, Adda!
-
Foi isso que vc me falou da última vez enquanto me colocava um par de chifres.
-
Pai deixa isso pra lá, pai! – Falei em tom de desespero me metendo na
discussão.
Meus
pais discutindo estava me deixando nervosa, eu tremia um pouco mas tentava
disfarçar. Quando chegamos em casa meu pai saiu do carro e puxou minha mãe
pelos cabelos arrastando-a para a sala. A essa altura eu encostei na parede e fiquei
vendo meu pai espancar minha mãe, eu estava tremula e chorava em pânico. Fiquei
imaginando que tipo de filha sou eu, se eu entrasse no meio para proteger minha
mãe meu pai me odiaria, mas se eu não fizesse nada minha mãe sairia bem
machucada. Ela até conseguiu empurrar meu pai e correr mas ele a alcançou e
bateu com a cabeça dela na parede. Eu juro que gritei pro meu pai parar mas ele
me olhou de um jeito tão assustador que eu me calei e voltei ao meu cantinho.
Tapas, muitos tapas, minha mãe chorava e implorava pro meu pai parar, eu também
chorava vendo aquela cena até que tomei coragem e resolvi me meter. Eu já sabia
as consequências mas não consegui ver meu pai bater na minha mãe desse jeito,
então apanhei do meu pai, apanhei muito por ter me metido, eu fiquei no chão eu
mal podia me mexer. Depois da surra minha mãe cuidou de mim eu não conseguia me
movimentar de tanta dor, foram tantos chutes, tapas, socos, estava tonta acho
que se me perguntassem meu nome eu não saberia.
Eu
não reconhecia mais a minha família, minha mãe estava tão estressada que as
vezes sem querer ela chegava a descontar em mim, gritava comigo, me tratava mal
sem motivo. Três dias depois daquela surra eu tinha acabado de chegar do treino
de JiuJitsu, no tatame era o único lugar que eu ficava em paz, era por volta de
oito da noite e meu pai também tinha acabado de chegar. Eu o vi abraçando minha
mãe por trás, ela tentava se sair e ele abraçava ela meio que forçadamente.
Comecei a observar aquilo, ele beijava o pescoço dela e ela tentando se
afastar, então ele perdeu a paciência e começou a insinuar que ela estava
traindo-o de novo e por isso não queria mais saber dele. Ela o empurrou e
tentou sair mas ele ficou furioso e jogou ela no sofá. Meu pai dava cada tapa
forte na minha mãe que me arrepiava o corpo
-
Eu que ti sustento, a roupa que tu veste, a comida que tu come, as coisas que
vc tem, saem do meu bolso. Eu ti trato como uma princesa, te respeito, ti dou
tudo e você me troca pela primeira puta que aparece! Eu era romântico com vc,
mas mulher gosta é de ser tratada como cadela mesmo, sua cretina!
-
Adda, para! Eu não estou ti traindo caralho...
Quanto
mais ele lembrava do passado, mais ele batia nela, até que meu pai chegou a
rasgar a roupa dela. Nessa hora eu mais uma vez me meti na confusão.
-
Você gosta mesmo de apanhar ne garota? Vai defender sua mãe de novo? Então se
prepara.
Eu
não aguentava mais aquela situação então decidi reagir de verdade, aquele não
era mais o meu pai, entramos em luta corporal e começamos a medir forças. Então
eu acabei utilizando o JiuJitsu contra ele, eu o imobilizei e comecei a chorar
me lembrando de quem ele era. Andávamos de bicicleta, saiamos para admirar
garotas, brincávamos, ele era meu melhor amigo mas agora estava quase sem ar
com um triangulo encaixado em seu pescoço. Então eu o soltei e ele novamente
veio pra cima de mim.
-
Pai eu ti odeio! – Gritei.
Então
ao ouvir isso ele parou e saiu. Trancou-se no quarto. Eu corri pra onde minha
mãe estava mas ela simplesmente me rejeitou por causa da atitude que eu tive.
No
dia seguinte ele foi até mim, juro que tremi na base eu já estava pronta para
apanhar mais uma vez ou pra ser expulsa de casa mas ele me abraçou e começou a
chorar.
-
Filha eu... me perdoa... eu amo muito você eu não quero perder a minha família.
Filha me ajude a perdoar sua mãe. Eu me lembro daquilo e me sinto envergonhada
de ir pro Rugby e saber que todo mundo me olha e me acha otária. Filha vc me
odeia mesmo?
-
Não odeio você. Odeio suas atitudes. Eu me lembro de quem vc era e vejo o que
se tornou isso dói muito.
Eu
e meu pai fizemos as pazes, ele também fez as pazes com a minha mãe e parecem
que voltaram ao normal. Eles procuraram ajuda de um psicólogo, entretanto eu
não quis ir ao psicólogo, pois ver minha mãe e meu pai juntos e rindo outra vez
já foram suficientes pra eu superar e deletar da minha vida essa situação que
passamos. E assim a gente ta sendo feliz para sempre ou pelo menos por
enquanto!
FIM

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